
A MONTANHA MÁGICA
De uns tempos pra cá, ninguém mais quer saber de escrever um livro, ter um filho e plantar uma árvore. A vida só tem sentido se vc desafiar a morte. Receber o beijo gelado, sentir o hálito da agourenta e voltar com um sorriso misterioso. Neguinho escala o Everest só pra riscar lá no topo: Saddam Pancadão izteve aqui...
Abaixo Saddam ! Todo mundo é livre, mas em Floripa a liberdade rola em altas ondas e louras bronzeadas. Por estas bandas todo mundo surfa ou finge que surfa. Por isso, se vc não surfa e acha errado fingir, vc é haole (atenção, finja direito: haole se pronuncia rauli).Eu finjo na maior. Um brother lendário, cujo nome não vou revelar, é tão haole, mas tão haole, que nem sabe o que significa isso. As gatas chamam ele de haole, e o Frota responde amarradão: valeu chocky !
O pico é a Joaquina, Joaka na intimidade dos locais. Não sou local, é claro, mas me destaco dos haoles. Acho que já sou barney. Só não sei que porra é essa.
Como todo surfista, eu não boto fé em crendices e superstições, tipo gramática, tabuada, Grazi
me dando condição. Mas tenho o corpo fechado por Iemanjá. Saravá minha mãe, foi ela que me salvou na Joaka.
Quem pede tem preferência, quem rema surfa. Eu remava há horas e nada. Quando entrou o swell, um local deu a dica: Vai que é tua barney ! Remei feito um desgraçado... iiiiissaaa.... olhei pra baixo e... fiiiuuu !!?... percebi porque ninguém remou praquela... montanha azul assassina...
Faz alguns anos, Laird Hamilton, surfista raiz, entrou numa máquina de moer gente na barreira de corais de Teahupoo, Tahiti. Quando ele apontou na crista da montanha, Kelly Slater, Taj Burrow, Cory Lopez, todos os grandes levaram a mão na cabeça. Louco!!! Apesar de todo seu treinamento, Laird calculou que suas chances de sobreviver não passavam de 50%. Mesmo assim ele desceu. Porque não poderia dormir se não tivesse descido. E aquele era um bom dia para morrer.
Eu não tenho testemunhas, mas a minha montanha na Joaka faria Laird corar
de vergonha da sua marolinha tahitiana. Amarelar não agravaria minha insônia... Mas era tarde e já não tinha a menor idéia do que fazer. Meu cérebro primitivo só conseguia pensar: ferrou barney!
Quando Laird Hamilton foi engolfado pelo maior redemoinho vertical já fotografado, ele também não sabia o que fazer. Aquela era a pior situação possível. A rotação do tubo estava prestes a tragá-lo, primeiro para cima, depois arremessá-lo contra o fundo de corais e depois para cima de novo... Laird desapareceu no olho da onda e ninguém apostou um níquel no seu couro. Então, um milagre aconteceu.
Laird usou a mão direita para frear a velocidade da água por baixo da prancha. De algum modo, ele adivinhou que se usasse a mão esquerda para se apoiar na parede da montanha, como qualquer haole faria naquela situação, seria tragado imediatamente. Laird saiu vivo e surfando lá de dentro. O resto é história.

Quando a avalanche começou, eu tive a visão mais louca que se pode ter no mar. Uau! Uma mulher surgiu flutuando, toda de azul, linda de morrer, ôlêlê!... e me disse: fica de pé... deixa fluir, barney...
O pico é a Joaquina, Joaka na intimidade dos locais. Não sou local, é claro, mas me destaco dos haoles. Acho que já sou barney. Só não sei que porra é essa.
Como todo surfista, eu não boto fé em crendices e superstições, tipo gramática, tabuada, Grazi
me dando condição. Mas tenho o corpo fechado por Iemanjá. Saravá minha mãe, foi ela que me salvou na Joaka.Quem pede tem preferência, quem rema surfa. Eu remava há horas e nada. Quando entrou o swell, um local deu a dica: Vai que é tua barney ! Remei feito um desgraçado... iiiiissaaa.... olhei pra baixo e... fiiiuuu !!?... percebi porque ninguém remou praquela... montanha azul assassina...

Faz alguns anos, Laird Hamilton, surfista raiz, entrou numa máquina de moer gente na barreira de corais de Teahupoo, Tahiti. Quando ele apontou na crista da montanha, Kelly Slater, Taj Burrow, Cory Lopez, todos os grandes levaram a mão na cabeça. Louco!!! Apesar de todo seu treinamento, Laird calculou que suas chances de sobreviver não passavam de 50%. Mesmo assim ele desceu. Porque não poderia dormir se não tivesse descido. E aquele era um bom dia para morrer.
Eu não tenho testemunhas, mas a minha montanha na Joaka faria Laird corar
de vergonha da sua marolinha tahitiana. Amarelar não agravaria minha insônia... Mas era tarde e já não tinha a menor idéia do que fazer. Meu cérebro primitivo só conseguia pensar: ferrou barney!Quando Laird Hamilton foi engolfado pelo maior redemoinho vertical já fotografado, ele também não sabia o que fazer. Aquela era a pior situação possível. A rotação do tubo estava prestes a tragá-lo, primeiro para cima, depois arremessá-lo contra o fundo de corais e depois para cima de novo... Laird desapareceu no olho da onda e ninguém apostou um níquel no seu couro. Então, um milagre aconteceu.

Laird usou a mão direita para frear a velocidade da água por baixo da prancha. De algum modo, ele adivinhou que se usasse a mão esquerda para se apoiar na parede da montanha, como qualquer haole faria naquela situação, seria tragado imediatamente. Laird saiu vivo e surfando lá de dentro. O resto é história.

Quando a avalanche começou, eu tive a visão mais louca que se pode ter no mar. Uau! Uma mulher surgiu flutuando, toda de azul, linda de morrer, ôlêlê!... e me disse: fica de pé... deixa fluir, barney...
E eu fiquei. Por três enormes segundos, eu fiquei de pé nas entranhas do monstro. Vc é o cara, barney... E depois fui lançado como roupa velha na máquina de lavar... Durante o caldo eu pensei: Ei Laird, maneiro o lance da sua Experiência, brou...
Olhar perdido, sorriso místico, misterioso. Laird Hamilton, o maior fominha do North Shore, ficou três semanas inteiras em terra firme depois da Experiência. Observando as ondas, como se estivesse apaixonado e seguro de ser correspondido. Cara de sorte... O problema de escalar o Everest, é que não há nada maior pra se fazer depois.
Até hoje, quando vou curtir o pôr do sol na praia, espiar as montanhas quebrando no fim do dia, tenho a impressão que ela está lá. Sob a névoa da espuma na arrebentação, toda de azul, linda como na primeira vez. E às vezes, parece que Iemanjá pisca pra mim e diz baixinho: sou sua garota, barney...
Olhar perdido, sorriso místico, misterioso. Laird Hamilton, o maior fominha do North Shore, ficou três semanas inteiras em terra firme depois da Experiência. Observando as ondas, como se estivesse apaixonado e seguro de ser correspondido. Cara de sorte... O problema de escalar o Everest, é que não há nada maior pra se fazer depois.Até hoje, quando vou curtir o pôr do sol na praia, espiar as montanhas quebrando no fim do dia, tenho a impressão que ela está lá. Sob a névoa da espuma na arrebentação, toda de azul, linda como na primeira vez. E às vezes, parece que Iemanjá pisca pra mim e diz baixinho: sou sua garota, barney...
O sol mergulha e todo mundo aplaude no nove...
Seja qual for o vento, aproveite as ondas!
Seja qual for o vento, aproveite as ondas!



2 Comments:
Que Iemanjá proteja todos nós! Tá na hora de planejar uma surf trip! Ou você vai ficar esperando a próxima tsunami?
Valeu Brother,
melhor do que planejar, é pôr o jipão na estrada... Vambora?
abs
Post a Comment
<< Home